Portal 2

  • Valve Software
  • Valve Software
  • Tiro / Ficção Científica
  • Lançamento: 19 Abr, 2011
  • ESRB: Jovens
  • Plataformas: PC X360 PS3MAC

 

 Lançado em 2007 como parte de uma coleção de jogos da Valve, Portal parecia apenas mais uma distração e um experimento da produtora de Half-Life. Mas o jogo acabou se destacando pelos puzzles brilhantes, um enredo cheio de bom humor e bordões como "O bolo é mentira". A repercussão foi mais positiva que a Valve imaginava, e motivou uma sequência, desta vez feita com a produção e tecnologia que as boas ideias do original merecem. 




You Monster 

Depois de carbonizar partes de GLaDOS e escapar das instalações de testes da Aperture Science, a sensação dos jogadores no final de Portal era de querer mais. Definitivamente, a única coisa que faltava no melhor jogo da Orange Box era uma duração de jogo “comercial” e não apenas algumas horas de êxtase. Portal 2 remedia isso com uma jornada de 15 horas e um excelente modo cooperativo onde dois jogadores terão sua criatividade testada na resolução de puzzles. 

Portal 2 já começa com bom humor. Na primeira cena, os comandos básicos são ensinados ao jogador em um tutorial que parece uma ginástica laboral para cobaias de teste. Mais uma vez, o enredo envolve testar as criações da Aperture Science, só que agora várias décadas depois, em um laboratório que foi abandonado e está caindo aos pedaços mas ainda conta com a supervisão de inteligências artificiais como a temível GLaDOS. 

A movimentação é a mesma de um FPS, mas Portal 2 é muito diferente da experiência de andar e atirar por corredores claustrofóbicos. O jogo é essencialmente um puzzle, cuja mecânica básica envolve o uso da criativa Aperture Science Handheld Portal Device -- uma arma capaz de criar túneis do nada. O funcionamento é simples: ao pressionar o gatilho direito do controle (ou botão direito do mouse), um portal de borda azul é criado. Pressionando o esquerdo, um portal de borda laranja aparece. Apenas dois portais são criados por vez, e ao atravessar qualquer um desses, o jogador sai no outro, como se fosse criado um túnel entre eles. 

Até aí, nada de muito diferente daquilo que foi visto no primeiro Portal, mas com criatividade e alguns recursos novos a Valve conseguiu revigorar a fórmula de jogabilidade que nem teve tempo de se tornar repetitiva no primeiro jogo. Além de caixas, bolas de energia, botões vermelhos, elevadores, robôs de segurança e saltos absurdos usando quedas livres, alguns novos elementos aparecem em Portal 2, como é o caso de um tipo de mecanismo que arremessa o personagem no ar e, principalmente, dos géis, que alteram bastante a jogabilidade. 

Existem três tipos de gel e todos são aplicados em efeitos visuais quase hipnotizantes, principalmente quando passam por portais em seu caminho. O gel branco serve para ser aplicado em superfícies para permitir a criação de portais onde antes não era possível. O gel propulsor laranja faz com que tudo que passe sobre ele tenha a velocidade aumentada, e o gel repulsor azul faz objetos e jogadores rebaterem no chão (ou paredes) como em uma cama elástica. Além de útil para resolver puzzles, este é bem divertido também. 

Mesmo com tantos elementos e possibilidades, Portal 2 consegue ser um jogo acessível, sem cair na armadilha de criar desafios complexos demais para a maioria das pessoas. O design de fases é genial e o tipo de raciocínio que é exigido dos jogadores é inserido lentamente de uma forma didática e, ao mesmo tempo, divertida e estimulante. 

A curva de aprendizado é bem suave e os jogadores ainda terão uma ótima sensação de recompensa ao solucionar puzzles cada vez mais incríveis e complexos, mas sempre lógicos e possíveis. 

Still Alive 

No primeiro Portal, praticamente todo o humor vinha dos monólogos de GLaDOS, a IA que controlava a Aperture Science e principal antagonista do jogo. Em Portal 2, temos também Wheatley, uma inteligência artificial com sotaque britânico que fala bastante por todo o jogo e é uma companhia extremamente engraçada. E como a cereja no topo do bolo, vale a pena citar a dupla cômica do modo cooperativo, mais um ponto positivo deste jogo. 

O multiplayer cooperativo para Portal 2 só poderia ser criado por quem tem Half-Life, Team Fortress 2 e Left 4 Dead no catalógo. O estilo solitário do primeiro jogo parecia perfeito tanto do ponto de vista do enredo quanto de jogabilidade, mas por mais curioso que seja, a breve campanha com dois jogadores é tão envolvente quanto o singleplayer, pelos mesmos motivos. 

Os personagens dos jogadores são dois robôs que interagem entre si de forma cômica, com gestos e danças, e precisam da camaradagem para vencer os puzzles propostos pela impiedosa GLaDOS. É muito diferente de um FPS cooperativo -- aqui é realmente necessário trabalho em conjunto e muitas vezes sincronizado para vencer os desafios e, como era de se esperar, com quatro portais e duas cabeças pensando, tudo fica mais complicado e desafiador. Não é incomum acertar um Portal no lugar errado e mandar o colega para a morte certa em espinhos na parede, ou então simplesmente ver trombadas em saltos que acabam com os dois jogadores ao mesmo tempo de forma tragicômica. E vale lembrar que com o Steam presente no PS3, quem estiver no PC pode jogar junto com o pessoal no console da Sony e vice-versa. 

Mas apesar de superar o modo principal na dificuldade e engenhosidade dos puzzles, o cooperativo fica um pouco atrás na questão dos cenários. O primeiro Portal não era feio. Tinha um estilo de arte interessante, mas era despretensioso, coisa que o novo jogo remedia com uma ambientação mais complexa, que mostra as instalações da Aperture Science após anos de abandono, tomadas pela natureza e descaso. 

Paredes estão ruindo e ocasionamente em movimento. Os laboratórios de teste invadidos por plantas e incompletos. Quase todo momento existe algo curioso para olhar, elevando ainda mais o nível do jogo. No modo cooperativo, o design visual das fases não é tão brilhante, talvez para comportar o game design de fato, mas também não compromete. 



Apesar de não ser um pioneiro como o primeiro Portal, a sequência é mais caprichada, maior e tão criativa quanto o original. Os poucos personagens são sensacionais, assim como todo o roteiro e diálogos do jogo. Como se isso não fosse o suficiente para uma experiência incrível, os puzzles são inspirados e ao mesmo tempo desafiadores e intuitivos. Portal 2 pode ser, de alguma forma, mais do mesmo, mas é mais de um mesmo genial. 

Pontos Fortes 

- GLaDOS 
- Roteiro excelente e bem humorado 
- Puzzles engenhosos 
- Curva de aprendizado perfeita 

Pontos Fracos 

- Nenhum

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